INSS para autônomo e MEI: como contribuir pagando menos
Planos de 20%, 11% e 5% do INSS para autônomo, MEI e facultativo baixa renda: o que cada um cobre, o que não cobre, como pagar e como conferir no Meu INSS.
Quem trabalha por conta própria pode pagar o INSS com 20% sobre o que declarar, com 11% sobre o salário mínimo no Plano Simplificado ou, sendo MEI, com 5% do salário mínimo dentro do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional, o boleto mensal do MEI). Para quem não tem renda própria e está no CadÚnico, existe o facultativo baixa renda, também de 5%. Os planos mais baratos cobrem aposentadoria por idade, auxílio e pensão, mas não contam para aposentadoria por tempo de contribuição.
Primeiro, descubra em que grupo você está
O INSS separa quem contribui por conta própria em dois grupos:
- Contribuinte individual: quem trabalha por conta própria, como diarista, pintor, eletricista, vendedor ambulante e motorista de táxi. Para essa pessoa, contribuir é obrigação, porque ela exerce atividade remunerada.
- Facultativo: pessoa maior de 16 anos que não exerce atividade remunerada, como quem cuida só da casa, estudante ou desempregado. Contribui porque quer manter a proteção.
O MEI (microempreendedor individual) é um contribuinte individual com CNPJ e regra própria de pagamento. Se você presta serviço a uma empresa, desde 2003 é a empresa que recolhe a sua contribuição.
Os quatro jeitos de contribuir
Os percentuais abaixo estão nas páginas do INSS. A base é o salário mínimo, que muda todo ano por decisão do governo federal; por isso, o valor em reais também muda. A tabela de cada ano fica na página do INSS.
| Plano | Quanto | Quem pode | Como paga |
|---|---|---|---|
| Normal | 20% do que você declarar, entre o mínimo e o teto | Contribuinte individual e facultativo | GPS, códigos 1007 ou 1406 |
| Simplificado | 11% do salário mínimo | Contribuinte individual por conta própria e facultativo | GPS, códigos 1163 ou 1473 |
| MEI | 5% do salário mínimo | Microempreendedor individual | Dentro do DAS-MEI |
| Facultativo baixa renda | 5% do salário mínimo | Quem cumpre as regras do CadÚnico abaixo | GPS, código 1929 |
GPS é a Guia da Previdência Social. Ela pode ser gerada pelo Sistema de Acréscimos Legais da Receita Federal, pelo carnê do INSS ou por aplicativos de bancos conveniados. O vencimento é até o dia 15 do mês seguinte. O DAS do MEI vence até o dia 20 do mês seguinte e é gerado no Portal do Simples Nacional.
O que os planos baratos dão e o que não dão
Segundo o INSS, quem paga 11% no Plano Simplificado tem direito a:
- salário-maternidade;
- aposentadoria por idade;
- auxílio por incapacidade temporária (nome atual do auxílio-doença) e aposentadoria por incapacidade permanente;
- pensão por morte e auxílio-reclusão, pagos aos dependentes.
O Portal do Empreendedor lista os mesmos benefícios para o MEI que paga o DAS em dia. Cada benefício exige uma carência, que é um número mínimo de contribuições antes de poder pedir.
O que fica de fora: quem paga 5% ou 11%, ou contribui como MEI, não tem aposentadoria por tempo de contribuição nem Certidão de Tempo de Contribuição (CTC, o documento que leva o tempo para outro regime de previdência). Para contar esse tempo, é preciso complementar a diferença até os 20%. No Plano Simplificado, o INSS fala em mais 9% do salário mínimo, com juros de mora; para o baixa renda, a tabela de códigos do INSS prevê complementação de 15% do salário mínimo.
Atenção: segundo o INSS, a aposentadoria por tempo de contribuição foi extinta pela Reforma da Previdência de 2019, e quem já contribuía antes dela pode ter direito a regras de transição. Antes de pagar complementação, confira o seu caso pela Central 135.
Facultativo baixa renda: as regras que derrubam o pagamento
Esse é o plano mais barato e também o que mais gera contribuição invalidada. O INSS só valida o pagamento de 5% quando a pessoa:
- não exerce nenhuma atividade remunerada e não tem renda formal no próprio nome, com exceção do Bolsa Família;
- se dedica só ao trabalho doméstico na própria casa;
- está inscrita no CadÚnico antes de pagar;
- tem renda familiar mensal de até dois salários mínimos;
- atualiza o CadÚnico a cada dois anos.
Quem faz bico não se encaixa aqui: renda de trabalho, mesmo informal, faz da pessoa contribuinte individual. Se a sua família ainda não está no cadastro, o guia sobre o CadÚnico explica como entrar.
Exemplo com números redondos
Imagine, só para a conta, um salário mínimo de R$ 1.500. O valor real é outro e muda todo ano.
- Plano Normal sobre o mínimo: 20% × R$ 1.500 = R$ 300 por mês.
- Plano Simplificado: 11% × R$ 1.500 = R$ 165 por mês.
- MEI ou facultativo baixa renda: 5% × R$ 1.500 = R$ 75 por mês (o DAS do MEI tem ainda um valor pequeno de ICMS ou ISS, conforme a atividade).
Em 12 meses, a diferença entre o Normal e o Simplificado é (R$ 300 menos R$ 165) × 12 = R$ 1.620. Em troca, você abre mão da aposentadoria por tempo de contribuição, a não ser que complemente depois. Qual plano faz sentido depende da sua idade, do tempo que já tem e dos seus planos; na dúvida, peça orientação ao INSS pela Central 135 ou procure a Defensoria Pública.
Como pagar e conferir no Meu INSS
- Tenha o NIT (Número de Identificação do Trabalhador). Quem já tem PIS, PASEP ou NIS usa esse mesmo número. Quem não tem cria a inscrição no Meu INSS, com a conta gov.br.
- Gere a guia certa. Use o código do seu plano na GPS. O MEI gera o DAS no PGMEI, o programa do Portal do Simples Nacional.
- Pague até o vencimento. Segundo o INSS, contribuições em atraso podem fazer você perder a qualidade de segurado, que é a condição para ter acesso aos benefícios. Para regularizar atrasados, o autônomo precisa comprovar que trabalhou no período.
- Confira o CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). No Meu INSS, procure "CNIS" e baixe o extrato. Ele mostra cada período e cada contribuição registrada. Se algo faltar, ligue 135.
Quem tem renda que varia muito pode separar a contribuição no dia em que o dinheiro entra, como mostra o guia sobre renda que muda todo mês.
Próximos passos
- Defina se você é contribuinte individual, MEI ou facultativo.
- Escolha o plano e anote o código da GPS ou confira o seu DAS.
- Se pensar no baixa renda, confirme todas as condições e se o seu CadÚnico está em dia.
- Baixe o extrato CNIS no Meu INSS e veja se os pagamentos aparecem.
- Coloque a contribuição como conta fixa no seu orçamento com salário mínimo.
Perguntas frequentes
Qual é o jeito mais barato de pagar o INSS como autônomo?
Quem paga 11% ou 5% pode se aposentar?
Quem pode pagar como facultativo baixa renda?
Como sei se o INSS recebeu o meu pagamento?
Fontes e referências
Indicadores de hoje
Ver no Banco CentralOs números do Banco Central não carregaram desta vez. Veja direto no site do Banco Central.
Dados do Banco Central do Brasil (séries SGS), buscados ao abrir a página.
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